Jornal Gaúcha
01 · ROI

Harvard confirma: cada R$ 1 investido em alimentação corporativa gera até R$ 6 em retorno

Meta-análise de 22 estudos peer-reviewed encontrou US$ 3,27 de economia em custos médicos e US$ 2,73 em absenteísmo para cada dólar investido.

Health Affairs · Baicker, Cutler & Song4 min de leitura

Em um cenário corporativo onde cada centavo é contado, a busca por eficiência costuma focar em tecnologia e processos. No entanto, um estudo seminal da Harvard University revelou que o maior motor de economia pode estar no prato dos colaboradores. A pesquisa, liderada pelos economistas Katherine Baicker, David Cutler e Zirui Song e publicada na revista Health Affairs, trouxe números que se tornaram o padrão-ouro para o cálculo de retorno sobre investimento em saúde ocupacional.

Os pesquisadores realizaram uma meta-análise — que na linguagem científica significa uma 'super pesquisa' que combina e analisa resultados de diversos estudos independentes para chegar a uma conclusão mais robusta.

Ao analisar 22 estudos revisados por pares, a equipe de Harvard descobriu que, para cada US$ 1,00 investido em programas de bem-estar com componente nutricional, as empresas economizaram US$ 3,27 em redução de custos médicos e US$ 2,73 em redução de absenteísmo. O resultado é um ROI combinado de aproximadamente 6:1.

Para o gestor brasileiro, esses números são transformadores. Embora os valores originais estejam em dólares, a proporção é o que importa: cada real investido pode retornar seis vezes para o caixa da empresa. Isso ocorre porque a nutrição adequada atua na raiz de dois dos maiores ralos financeiros de uma organização — o custo do plano de saúde e a interrupção da operação por licenças médicas.

Contudo, o estudo faz um alerta crucial: programas mal estruturados não geram esses resultados. Existe uma diferença abissal entre ações isoladas — como distribuir uma fruta uma vez por semana — e programas estruturados, que envolvem mudança de cardápio, educação nutricional e acompanhamento técnico. O sucesso do ROI de Harvard reside na continuidade e na qualidade da intervenção.

Entender esses números é o primeiro passo para transformar o RH de centro de custo em centro de resultado. Se a ciência prova que o retorno existe e é alto, a pergunta deixa de ser 'quanto custa' e passa a ser 'quanto estamos perdendo por não investir'.

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